27 outubro 2017

Tento ser a pessoa que idealizo todos os dias

Se alguém me perguntar quem sou, é bem provável que eu diga as características de uma personalidade que quero ter, eu realmente faço isso, incrementando com os defeitos, que faz parte das certezas que tenho.

Explicando melhor, quando eu percebo qualidades que admiro, acredito tanto nelas, que me denomino, mas a verdade é que para além de sentir necessidade, eu não as possuo, tenho apenas consciência.

Pensando na história da minha vida, descubro como sou. Claro que a cada dia eu aprendo tanto, que mudo minha visão de mundo e atitudes, no entanto, há traços em mim que são indissociáveis.

Aprendi a ler aos três anos, com essa idade já escrevia meu difícil nome “Léa”, amo as letras desde sempre, eu amo verdadeiramente isso, eu escrevo poesia desde os sete. Eu escrevia nas pernas, nas roupas, nas paredes, eu nunca busquei ninguém para falar o que sentia, eu apenas escrevia.

E alguns dos meus amigos e da família nem sabe disso, porque eu não falo, não sinto a necessidade de falar, mas quando eu escrevo, as palavras têm total controle sobre mim.

Falar requer tempo dos outros, uma atenção que é escassa. Há pouco espaço para ser mais introspectivo. E quando se quer falar mais profundamente, as pessoas não sabem lidar.

Um dia, com 10 anos, escrevi na porta do quintal da casa da minha vó, com um prego: “eu sou infeliz”, bem pequeno, só que minha vó flagrou e perguntou por que eu era infeliz, eu disse que estava brincando, ela sorriu e disse que se eu tinha escrito, então era verdade.

Eu gostaria muito que ela tivesse sabido como foi importante, de tantas maneiras, na minha formação como pessoa. E se tem um sonho maior na minha vida, é ter a chance de encontra-la de novo.

Na minha adolescência, eu sempre me escondia debaixo da cama. Porque eu realmente gostava da solidão, de não ser vista, eu sempre tive um mundo totalmente meu e gostava de estar nele pelo menos uma vez ao dia. Ainda tenho, só não me escondo mais debaixo da cama, o livro é meu melhor esconderijo.

Todos esses pontos são partes de mim, os fatos, sempre me traduzem.
São apenas exemplos pequenos, escrevi aqui para demonstrar.
Para reafirmar minhas certezas. 

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